sexta-feira, 9 de maio de 2014

11 da época do Campeonato


Oblak: A escolha é difícil. Oblak, Helton, Fabiano e Rui Patrício são guarda redes de grande categoria mas o esloveno destacou-se num momento crucial da temporada dando tranquilidade e segurança à baliza dos encarnados. Sofreu um golo a cada 450 minutos, o que mostra a estrondosa solidez de um jovem ainda com muito potencial.

Maxi: Esta época não houve um defesa direito de encher o olho. Entre Maxi, Cédric e Danilo, o uruguaio superou claramente a concorrência. Cédric nos grandes jogos nem sempre esteve bem e o gajo dos 18 milhões teve uma época incrivelmente má.

Luisão: Nem existe concorrência nem comparação possível. Melhor época de sempre. Estrondosas exibições. Cortes providenciais. Golos. Sempre bem posicionado. Muito bem defensivamente e ofensivamente em lances de bola parada. Um verdadeiro treinador dentro de campo.

Garay: Garay formou com Luisão uma das melhores duplas de centrais da história do campeonato português. Sempre certo. Bom a sair a jogar. Bom toque de bola. Bom jogo aéreo. Alguns golos. Grande época. Rojo e Mangala também fizeram boas épocas mas Garay foi mais determinante.

Siqueira: Aqui surge a mesma coisa que no defesa direito. Não houve nenhum defesa esquerdo que fizesse uma grande época. Entre Siqueira, Jefferson e Alex Sandro a escolha é difícil. A 1ª volta de Siqueira foi fraca mas em compensação fez uma grande 2ª volta. Jefferson foi mais consistente mas nunca superou o melhor Siqueira. Alex Sandro fez uma época um pouco semelhante à de Jefferson, destacando-se um pouco mais. Portanto, a escolha aqui é bastante renhida. 

William: Foi a grande surpresa do campeonato. Melhor que Fernando em quase todos os aspetos. Não só merece ir ao Mundial como merece ser titular. Fez uma época brilhante. Muito simplista. Bom toque de bola. Grandes cortes e lançou ataques perigosíssimos. Muitas jogadas de golo nasceram dos seus pés. Foi uma grande revelação e o melhor jovem do campeonato. A escolha seria bastante mais difícil caso Matic não saísse no mercado de Inverno. 

Markovic: É aquele gajo que quando pega na bola deixa meia equipa para trás. Grandes sprints, muito desequilibrador no ataque e importante em tarefas defensivas. Tem ainda muito a amadurecer. No entanto, esteve bem e não se sentiu muito a falta de Salvio. 

Enzo: O melhor jogador do Campeonato. Jogou sempre a um ritmo muito alto. Conduziu o jogo ofensivo do Benfica quase sempre. Muito pulmão. Muita técnica. Bem posicionado. E uma grande raça em campo.

Gaitán: Fez uma grande época e não teve muita concorrência interna. Muito tecnicista, exagerando algumas vezes. Falta-lhe potência de remate. Nesta posição esperava-se muito mais de Quaresma que é um jogador que colocou sempre os objetivos individuais à frente dos coletivos. Esteve muito mal, muito previsível e sempre com a mania. Não pode ser considerado um candidato ao onze ideal do campeonato.

Rodrigo: Foi sem dúvida a época da confirmação. Um grande segundo avançado mas penso que na posição 9 ainda poderia render muito mais. Marcou muitos golos e fez exibições exuberantes. Já foi vendido por 30M e será difícil de substituir.

Jackson: O maior goleador do Campeonato e um grande ponta de lança. É um perigo constante. Foi o melhor jogador da equipa (não era difícil) e deu sempre conta do recado. Pulmão inesgotável. Matador. Levou às costas uma equipa durante demasiado tempo.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Taticamente Jorge Jesus é o melhor treinador português e um dos melhores da Europa


Hoje em dia JJ é bastante melhor do que José Mourinho. Taticamente é um treinador irrepreensível, que estuda aos pormenores os mais pequenos detalhes e que, por isso, o faz ganhar em praticamente todos os campos.

Recuando atrás no tempo, quando se falava da grandeza do Benfica as gerações mais novas simplesmente não sabiam o que era isso. O Benfica não tinha um ADN de vencedor, não estava nas decisões, havia um certo conformismo quando a equipa não ganhava, ... Isto era o Benfica. A raça, o crer e ambição que tanto falavam as gerações mais velhas não eram percebidos nem sentidos pelas gerações mais novas, porque simplesmente nunca viram isso em campo.

Com a chegada de JJ ao Benfica, as gerações de 80 e 90 começaram a perceber realmente o que era a mística. JJ potenciou uma equipa ano após ano com jogadores muitas vezes vulgares. Aqui está a capacidade de JJ - pegar em 11 gajos e fazer uma equipa das mais fortes a nível europeu. Quando chegou ao Benfica e disse que a equipa tinha de começar a jogar o dobro mentiu. A equipa começou a jogar 3, 4, 5 vezes mais. Muitas vezes venceu equipas de grandes individualidades porque a equipa joga como um todo.
Hoje,  JJ é um dos melhores que passou pelo campeonato português e mesmo perdendo nos momentos decisivos jogos que lhe custaram títulos, ele sempre conseguiu superar esse trauma. Na época 2012/13 a equipa jogou como nunca, sufocava cada adversário sem dó nem piedade. Era um massacre total. E no fim o inesperado aconteceu. A equipa perdeu todas as decisões finais. Não ganhou absolutamente nada. A grande maioria dos benfiquistas pedia a demissão de um treinador que em 4 anos ganhou apenas 1 campeonato e 3 taças da liga. Era pouco para uma equipa como o Benfica.

Eu sempre defendi a continuidade de JJ, porque via nele um dos melhores treinadores que passaram no Benfica. Não se podia crucificar um treinador assim. Para ele perder o que perdeu teve de ganhar muitos jogos. JJ aprendeu com os erros e conseguiu perceber o que tinha de mudar e o resultado esta época está à vista. Já ganhou o campeonato e está em todas as finais das restantes competições. Um momento idêntico ao do Bayern de Munique que em 2011/12 perdeu tudo e em 2012/13 ganhou tudo com o mesmo treinador.

O Benfica de Jesus é das equipas europeias mais fortes taticamente o que faz parecer que tem individualmente jogadores de grande categoria. E efetivamente tem mas não pode ser comparado às individualidades de alguns tubarões europeus. Por exemplo, a Juventus a nível individual é mais forte que o Benfica mas a nível coletivo não.


O Benfica de Jesus é uma equipa de transição mas sabe jogar os diferentes momentos do jogo ao contrário do Chelsea de Mourinho. O Chelsea quando tem a bola só sabe jogar em transição enquanto o Benfica sabe jogar em transição e em posse, organização (mesmo sendo uma equipa de transição como Real Madrid e Dortmund). Os melhores têm de saber jogar todos os momentos e não só em alguns. Nos momentos defensivos o Benfica e o Chelsea são muito parecidos a abordarem o jogo. A diferença está no facto do Benfica estar preparado para jogar em todos os momentos e o Chelsea apenas o momento defensivo e de transição. É interessante ver como se comportam o Chelsea e o Benfica quando jogam contra equipas que metem o autocarro à frente da baliza. O Chelsea, ao contrário do Benfica, simplesmente não sabe jogar, não se sabe adaptar porque não está talhado a jogar aquele momento do jogo e isso deve-se ao treinador. O Chelsea defende com 10 jogadores e ataca com as individualidades de 2 ou 3. E pronto, isto é o Chelsea de Mourinho. O Benfica mesmo a jogar em inferioridade numérica consegue atacar com mais e de forma mais eficaz, não se limitando às individualidades. Contra a Juventus o Benfica teve sempre intenção de sair a jogar como equipa (mesmo jogando com 10), apesar de o momento ofensivo do Benfica ser bastante reduzido. E o momento de organização ofensiva do Benfica não se limitava apenas a Lima e Rodrigo mas também a Gaitán, Markovic e Enzo e à profundidade de Siqueira e Maxi (a equipa ataca como um todo e não com as individualidades de 2 ou 3). Mas não só de tática se vence os jogos. O Benfica venceu a Juventus com uma tremenda eficácia no ataque - 3 remates à baliza em 2 jogos e 2 golos.

Mourinho, com os recursos que tem , tinha a obrigação de fazer muito mais. E fazer mais não é ano após ano ir buscar grandes jogadores, mas sim evoluir taticamente e saber jogar todos os momentos do jogo. Num clube inferior Mourinho faria resultados medíocres. O próprio Hazard afirmou que "o Chelsea não está feito para jogar futebol. Muitas vezes pedem-me para fazer tudo sozinho e não é fácil". Isto diz tudo do que tenho vindo a dizer.